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As fases do luto

June 26, 2017

Psiqueanalise.com

 

O luto é um processo difícil, aludido a um tabu que é a morte, em nossa sociedade. O luto é a perda de algo ou alguém significativo. O luto não está relacionado sempre à perda por morte, mas, na verdade, várias situações que se vive trazem o luto, por exemplo: aposentadoria, envelhecer, mudar de cidade, perder um amigo, um animal de estimação, às vezes terminar a faculdade, terminar um ciclo. Toda mudança e até escolha, em geral inclui perda e por isso está ligada a um processo de luto. É importante compreender como funciona este processo e como cuidar da pessoa enlutada.

 

A Teoria do Apego foi criada pelo John Bowlby que em 1935 escreveu junto com Winnicott e Miller um trabalho sobre o efeito da privação materna em crianças com idades entre 2 e 5 anos e o que isto poderia causar futuramente em termos de distúrbios psicológicos.

 

Para Bowlby o luto do adulto ou adolescente, é o mesmo processo que sofre a criança na ausência materna. Para a Teoria do Apego, estar próximo a outro ser humano é essencial para a sobrevivência biológica e psíquica. Esta é à base da Teoria do Apego. A própria personalidade seria formada pela busca da proximidade com o outro, pela vinculação; então, nós vivemos e sobrevivemos por esta vinculação, pelo contato com o outro.

 

Isso elucida o fato de que passamos uma vida toda aprendendo a nos vincular; vem daí então a nossa imensa dificuldade em se desvincular, em romper laços, em perder alguém. Porque quando se perde, visivelmente, existe algo em nós, uma espécie de marca biológica que nos faz sentir que não iremos sobreviver e que nós iremos juntos, como o bebê instintivamente, na ausência da mãe, vai concluindo que não poderá sobreviver sem os cuidados básicos.

 

 

As 04 fases do luto

 

Desorientação e confusão, entorpecimento ou torpor, negação e isolamento

 

É o momento que o enlutado diz: “não, não é essa pessoa que você está dizendo”, “não é ela”, “você está enganado”... Ou seja, algo dentro dele se mobiliza para provar que não é verdadeiro o que está ocorrendo. A negação trabalha de forma que não se morra junto (de tristeza e abandono) seguindo a pessoa amada que partiu. Como foi dito, em relação a Teoria do Apego: a hora que este ser de vínculo se foi, a mensagem gravada é de que “ eu me encontro em risco”.

 

O encontro entre a realidade e a não aceitação também provoca a desorientação, e o enlutado fica sem saber como pensar, como agir, o que fazer nessa primeira fase. Outra característica deste momento é o isolamento, que pode ser visto das seguintes formas: uma delas é a possibilidade de viver o luto e a dor da forma escolhida ou familiar, buscando o silêncio, por exemplo.

 

Anseio e busca da figura perdida

 

É o momento em que ocorrem sonhos com a pessoa que morreu e o enlutado diz, por exemplo: “não, mas ele estava aqui, não foi um sonho como os outros”. O enlutado “vê” a pessoa na rua, “ouve a voz”. É importante saber que neste momento, muitas vezes as pessoas são medicadas como se elas estivessem sofrendo delírios, ou alguma disfunção. Na verdade, essas sensações e percepções são esperadas no processo de luto. Não é uma patologia, é uma fase prevista do luto.

 

Dor profunda e desespero

 

Este é o começo do luto propriamente dito por que é o momento que se entende que a pessoa se foi. Instala-se a dor intensa pela consciência clara de que a pessoa se foi, que não irá mais voltar. Este momento de luto profundo apresenta muitos sentimentos: de dor, de raiva. Alguns sentimentos são ambivalentes como ódio e amor. Geralmente, é nesta fase que a pessoa vai chegar à clínica, é esta dor que vai leva-la para a terapia. É bastante difícil ela chegar às fases anteriores, a não ser que seja dirigida por alguém. Outro sentimento muito comum é a raiva.

 

Há também um sentimento de culpa que ele acaba orientando também para o outro, um sentimento onipotente de que a perda da pessoa amada pudesse ser evitada pela vontade. Outro sentimento relacionado a esta culpa é a autocensura, o enlutado tende a pensar que poderia ter feito mais, cuidado mais da relação, ter sido mais amável, entre outras coisas.

 

Com o tempo a pessoa é confrontada pela realidade e acaba por perceber que estas culpas não tem razão de ser, nem é voltada para si nem é voltada para o outro. Mesmo que houvesse de fato a possibilidade de ter evitado, esta morte já aconteceu e é chegada então a hora de lidar com fatos, com a realidade da perda.

 

Michael White, que é um autor da terapia narrativa, propõe um trabalho de luto chamado: “dizendo olá novamente” em que se tenta reconstituir pela memória, a relação com a pessoa que se foi.

 

Reorganização e Reelaboração

 

A quarta fase do luto é da reorganização, passado o tempo de desesperança do luto profundo é possível terminar o processo de elaboração, de trabalho do luto e chegar à fase final que é a da reorganização. Este é o momento em que é possível reinvestir, pensar de novo na vida.

 

Esse é também o momento em que está claro o vazio ocupado pelo morto, por exemplo, em relação ao lugar que ele ocupava na família: se ele era um pai, marido, filho, amigo. A família já começa a se mover como uma família que perdeu um membro. É muito importante que se trate desse próximo momento como de acomodação e não de substituição. Chega o momento de fazer mudanças. O momento de recriar a vida.

 

No processo de luto perdeu-se alguém amado e retoma-se a vida com as demais pessoas. Esta é a hora da mudança porque já está claro que é o início de uma nova vida e que ela não está mais ligada a fugir da dor, a sepultar lembranças antes da hora, então agora já é possível seguir adiante. O enlutado sabe que trabalhou e conseguiu uma nova disposição interna, viveu o processo da resiliência e é, na verdade, na pura significação da palavra: um sobrevivente.

 

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Lane Lucena | Psicanalista Clínica

Pós-graduada em comportamento organizacional e gestão de pessoas, especializações em psicopedagogia clínica e psicologia e saúde mental. Realiza tratamento psicanalítico do sofrimento psíquico em geral, tais como: fobias, ansiedades, depressões, obsessões, impulsos auto e heteroagressivos, angústias e psiconeuroses. Atende desde crianças, adolescentes, casais, adultos e idosos, 

 

Bibliografia: Perda - Tristeza e Depressão (Vol III) . Jonh Bowlby. Martins Fontes, 2004.

 

 

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