O que é mediação de leitura e por que ela transforma a experiência com um livro
- Lane Lucena

- há 1 hora
- 3 min de leitura
Ler é, muitas vezes, um gesto solitário. Abrimos um livro, atravessamos páginas, fechamos a última e seguimos. Mas há leituras que não se encerram quando o livro termina. Elas continuam trabalhando dentro de nós, como quem puxa um fio antigo e descobre que ele está ligado a muitas outras partes da própria história. É nesse espaço que nasce a mediação de leitura.

A mediação de leitura não é uma aula sobre o livro. Não é explicação de conteúdo, nem busca pelo “sentido correto” do texto. Ela é a criação de um campo de encontro: entre a pessoa que lê, a obra e a própria vida que essa pessoa carrega.
Quando uma leitura é mediada, o texto deixa de ser apenas algo que se entende com a cabeça e passa a ser algo que se vive com o corpo, com a memória, com a sensibilidade. A pergunta muda de lugar. Já não é apenas “o que isso quer dizer?”, mas “o que isso me toca?”, “o que isso desperta em mim?”, “que lembrança, que pergunta, que silêncio isso acorda?”.
Na prática, a mediação de leitura cria tempo. Tempo para pausar, para escutar, para deixar o texto ressoar. Em vez de consumir um livro, nós o habitamos. Em vez de correr pelas páginas, permitimos que algumas frases fiquem, façam morada, se tornem espelho.
É por isso que a experiência se transforma. Porque aquilo que é vivido com presença não passa ileso. Uma leitura mediada frequentemente abre portas que a leitura solitária não abriria: alguém percebe um detalhe que o outro não viu, uma memória é acionada, uma frase ganha outro peso quando dita em voz alta e escutada por mais de uma pessoa.
Não se trata de interpretar melhor o texto. Trata-se de criar as condições para que cada pessoa encontre o seu próprio fio dentro dele.
Quando a mediação de leitura se encontra com a escrita autobiográfica, esse movimento se aprofunda ainda mais. Escrever a partir da leitura é uma forma de costurar o livro com a própria história. O texto deixa de ser algo externo e passa a dialogar com a biografia, com os ciclos de vida, com as perguntas que cada um carrega.
É exatamente essa experiência que sustenta a proposta da mediação do livro Fios da Vida — um caminho de leitura, escrita e escuta que transforma o livro em travessia compartilhada, e não apenas em conteúdo a ser consumido.
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Nesse sentido, a leitura deixa de ser apenas um ato intelectual e se torna uma travessia. Algo que atravessa e reorganiza, mesmo que de modo sutil. É isso que tenho visto acontecer quando um livro é lido em roda, com escuta, com tempo, com presença. A leitura vira encontro. O encontro vira espelho. E o espelho, muitas vezes, abre caminhos de volta para si.
Talvez seja por isso que algumas pessoas saem dessas experiências dizendo: “Eu não teria lido esse livro da mesma forma sozinha”. E é verdade. Porque não se trata apenas do livro. Trata-se do campo que se cria ao redor dele. Um campo onde palavras, memórias e histórias podem, finalmente, conversar.
Se você quiser conhecer o livro que dá origem a essa experiência, o Fios da Vida – Memórias alinhavadas com palavras é um convite para esse tipo de leitura mais lenta, sensível e encarnada; aquela que não termina na última página, mas continua costurando sentidos por dentro.
É nesse lugar que a mediação de leitura se revela: não como método para entender melhor um texto, mas como um gesto para viver mais profundamente a experiência de ler; e, quem sabe, a experiência de si.
Lane Lucena é psicanalista, escritora e pesquisadora do campo da Gerontologia. Autora de “Fios da Vida: memórias alinhavadas com palavras”, dedica-se a investigar as tramas entre corpo, memória e escrita como caminhos de cuidado e reconstrução psíquica.



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