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Arrumar a casa, reorganizar a alma: um olhar sobre hábitos

Atualizado: há 4 minutos

Arrumar a casa é, muitas vezes, o primeiro gesto visível de algo que começa a se reorganizar por dentro; porque os hábitos que repetimos no cotidiano; na forma de morar, trabalhar, comer, descansar e cuidar de nós; estão silenciosamente moldando nossa vida emocional, mental e espiritual. Antes de pensar em grandes mudanças, este texto convida você a olhar para o que se repete, para o que ocupa espaço e para o que permanece sem ser escolhido, inspirando-se na ideia de que organização, consciência e autoconhecimento caminham juntos quando decidimos não apenas mudar a rotina, mas reorganizar a alma.

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Organizar por dentro e por fora

Não falo aqui de metas heroicas, nem de rotinas perfeitas. Falo daquilo que fazemos quando não estamos pensando. Do que repetimos sem perceber. Do que organiza; ou desorganiza a nossa energia cotidiana.


Hábitos são a forma mais concreta que a vida encontra de se mostrar. Eles dizem como dormimos, como comemos, como trabalhamos, como nos tratamos, como nos escutamos; ou como nos abandonamos. É por isso que falar de hábitos caminha junto com o livro A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo.


Não como um manual de ordem externa, mas como uma metáfora profunda: quando mexemos no espaço, tocamos também a mente, o afeto e o modo como habitamos o tempo.


Organizar não é controlar. É escolher. É reconhecer o que fica, o que pesa, o que já não serve e o que sustenta.


Antes de mudar hábitos, é preciso ganhar consciência deles. Sem julgamento. Sem violência. Com honestidade.


Checklist — 40 Perguntas sobre Hábitos nas 4 Dimensões


O checklist abaixo é um convite a esse primeiro gesto: olhar para a própria vida como quem abre gavetas internas, com cuidado e verdade.



Dimensão Física (corpo, rotina, cuidado)

  1. Tenho horários minimamente regulares para dormir e acordar?

  2. Meu sono tem sido reparador ou apenas interrompido?

  3. Como tenho me alimentado no dia a dia: com presença ou no automático?

  4. Costumo pular refeições ou comer sem perceber o que estou comendo?

  5. Bebo água ao longo do dia ou só quando lembro?

  6. Meu corpo recebe algum tipo de movimento regular?

  7. Respeito meus limites de cansaço?

  8. Costumo ignorar sinais físicos de estresse ou dor?

  9. Meu ambiente físico favorece descanso e foco?

  10. Tenho algum ritual simples de cuidado comigo mesma?


Dimensão Mental (atenção, foco, excesso de estímulo)
  1. Começo o dia já em telas ou consigo alguns minutos de silêncio?

  2. Minha mente vive mais no excesso ou no essencial?

  3. Tenho o hábito de anotar, organizar ou apenas acumular pensamentos?

  4. Consigo terminar o que começo ou me disperso com facilidade?

  5. Como lido com informações em excesso?

  6. Tenho algum hábito de leitura, estudo ou reflexão?

  7. Meu consumo de redes sociais é consciente ou automático?

  8. Costumo me comparar excessivamente?

  9. Dou espaço para o ócio ou só para a produtividade?

  10. Minha mente descansa em algum momento do dia?


Dimensão Emocional (relações, autocuidado, afetos)

  1. Tenho o hábito de escutar meus sentimentos ou de silenciá-los?

  2. Como costumo reagir quando algo me frustra?

  3. Tenho espaço para falar de mim com alguém de confiança?

  4. Repito padrões emocionais que já me cansam?

  5. Sou gentil comigo nos meus erros?

  6. Costumo me cobrar mais do que acolher?

  7. Tenho hábitos que me aproximam ou me afastam das pessoas?

  8. Como lido com conflitos: evito, explodo ou elaboro?

  9. Reconheço minhas pequenas conquistas?

  10. O que faço quando estou triste, ansiosa ou sobrecarregada?


Dimensão Espiritual (sentido, propósito, interioridade)

  1. Tenho algum hábito de silêncio, pausa ou recolhimento?

  2. Consigo perceber sentido no que faço diariamente?

  3. Minha vida tem espaço para contemplação ou só para urgências?

  4. Tenho algum ritual pessoal, mesmo simples?

  5. O que me conecta com algo maior do que eu?

  6. Vivo mais no automático ou com presença?

  7. Me permito perguntar “por quê” e “para quê”?

  8. Minhas escolhas refletem meus valores?

  9. O que, hoje, alimenta meu sentido de vida?

  10. O que, nos meus hábitos, está me afastando de mim?


A leitura de A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo, entra aqui como uma chave simbólica. Mais do que dobrar roupas ou organizar gavetas, o livro nos convida a fazer uma pergunta essencial: o que merece permanecer?


livro

Um livro para quem deseja se tornar autoconsciente de seus hábitos

Quando escolhemos o que fica no espaço, também escolhemos o que fica na mente, no coração e no tempo. Organizar é um gesto de consciência. E consciência é o primeiro passo para qualquer mudança que não seja apenas passageira.


Antes de criar novos hábitos, é preciso ver os que já existem. Nomeá-los. Reconhecê-los. Entender como eles moldam, silenciosamente, a nossa vida.


Se você sente que precisa reorganizar não só a casa, mas também o ritmo, as escolhas e a forma de se tratar, este texto foi pensado para você.


Você pode acessar o livro aqui


Leitura que se torna travessia

Para caminhar conosco ao longo do ano no Leitura Compartilhada, conheça o ciclo anual. Onde cada leitura é acompanhada de encontros reflexivos, práticas de escrita e instrumentos simbólicos; como as Cartas Flor&Ser — que ajudam a transformar leitura em elaboração concreta da vida.


O pilar de hábitos, trabalhado a partir do livro da Marie Kondo, contempla justamente a organização daquilo que habita dentro e reflete o que nos rodeia por fora.


Se você sente que este é um tempo de organizar com mais consciência; e em companhia, talvez esse caminho faça sentido para você.



O Leitura Compartilhada 2026 segue aberto para quem deseja fazer esse percurso com livros, escrita e escuta.



Lane Lucena é psicanalista, escritora e pesquisadora do campo da Gerontologia. Autora de “Fios da Vida: memórias alinhavadas com palavras”, dedica-se a investigar as tramas entre corpo, memória e escrita como caminhos de cuidado e reconstrução psíquica.



Referências Bibliográficas

  • KONDO, Marie. A mágica da arrumação: a arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.

  • DUHIGG, Charles. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

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