Perimenopausa e Menopausa: habitar o meio do caminho
- Lane Lucena

- há 5 dias
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A perimenopausa e a menopausa não chegam como um marco exato no calendário. Elas se insinuam. Mudam o ritmo do corpo, o humor dos pensamentos, a forma como a mulher se percebe no mundo.

Nem lá, nem cá..
É um tempo de atravessamento; e talvez por isso dialogue tão profundamente com o livro Nem Lá, Nem Cá, de Maila Couti. Não estamos falando de um antes e um depois claros, mas de um entre. Um lugar onde o corpo pede escuta, onde os extremos deixam de funcionar, onde já não é possível sustentar a vida como antes.
A perimenopausa desmonta automatismos. Ela expõe excessos, silêncios antigos, negligências normalizadas. E, ao mesmo tempo, oferece uma chance rara: a de voltar ao corpo como território de verdade.
Este não é um período que deva ser vivido em solidão ou negação. Pedir ajuda não é sinal de fragilidade; é sinal de maturidade psíquica. Reconhecer limites, buscar acompanhamento médico, conversar com outras mulheres, acionar a rede de apoio: tudo isso faz parte do cuidado. Antes de qualquer decisão, porém, há um gesto essencial: reconhecer o momento em que se está. As perguntas abaixo não servem para diagnosticar, mas para trazer consciência. Elas são um convite à honestidade e à escuta interna.
Checklist de autoescuta: perimenopausa e menopausa
Responda com calma. Não é necessário responder tudo de uma vez. Observe padrões, repetições, incômodos persistentes. Onde houver insistência, há um pedido.
Dimensão Física
Tenho percebido alterações no meu ciclo menstrual (irregularidade, intensidade, ausência)?
Meu sono mudou nos últimos meses (insônia, despertares frequentes, sono não reparador)?
Sinto mais cansaço físico do que costumava sentir, mesmo sem esforço excessivo?
Tenho ondas de calor, suores noturnos ou sensação súbita de desconforto térmico?
Notei mudanças no meu peso ou na forma como meu corpo responde à alimentação?
Meu corpo parece mais sensível a estímulos (barulho, luz, toque)?
Tenho dores articulares, musculares ou corporais sem causa evidente?
Percebo alterações na libido, na lubrificação ou no prazer corporal?
Tenho negligenciado consultas médicas ou exames importantes?
Meu corpo tem sido escutado ou apenas exigido?
Dimensão Mental/Intelectual
Tenho sentido dificuldade de concentração ou lapsos de memória?
Minha mente parece mais acelerada ou mais confusa do que antes?
Tenho dificuldade em organizar tarefas simples do dia a dia?
Sinto irritação mental com excesso de estímulos ou cobranças?
Tenho me julgado mais duramente por não “dar conta” como antes?
Percebo pensamentos repetitivos ou preocupações constantes?
Tenho dificuldade em descansar mentalmente, mesmo em momentos de pausa?
Minha relação com o trabalho mudou (desmotivação, exaustão, questionamentos)?
Consigo reconhecer quando minha mente precisa de descanso?
Tenho buscado informação confiável ou apenas tentando suportar sozinha?
Dimensão Emocional
Tenho percebido oscilações emocionais mais intensas ou frequentes?
Sinto tristeza, irritabilidade ou choro sem motivo aparente?
Tenho dificuldade em nomear o que estou sentindo?
Percebo um luto silencioso por quem fui ou pelo corpo que mudou?
Sinto-me mais sensível às relações e aos conflitos?
Tenho evitado conversas difíceis por medo de não dar conta emocionalmente?
Sinto solidão mesmo estando acompanhada?
Tenho permitido que alguém me ajude emocionalmente?
Reconheço quando preciso de apoio psicológico ou terapêutico?
Trato minhas emoções com acolhimento ou com dureza?
Dimensão Espiritual
Tenho questionado o sentido do que faço e da vida que levo?
Sinto necessidade de mais silêncio, pausa ou recolhimento?
Minha relação com o tempo mudou (menos urgência, mais profundidade)?
Tenho sentido um chamado para reorganizar prioridades?
Sinto-me desconectada de mim mesma ou daquilo que me sustenta?
Tenho buscado práticas que me ajudem a me reconectar (leitura, escrita, espiritualidade)?
Permito-me não saber e não controlar tudo?
Reconheço este momento como uma travessia, e não como um erro?
Tenho espaço para elaborar essa fase com outras mulheres?
Consigo confiar que pedir ajuda também é um caminho espiritual?
Se muitas dessas perguntas tocam pontos sensíveis, não ignore. A perimenopausa e a menopausa não pedem heroísmo. Pedem cuidado compartilhado.
Buscar um médico, uma terapeuta, um grupo de mulheres, uma escuta qualificada não é exagero; é prevenção de sofrimento desnecessário. Reconhecer o momento é o primeiro gesto de saúde. E saúde, aqui, não é ausência de sintomas. É presença consigo.

Um livro para quem habita o "entre"
Em meio às mudanças da perimenopausa e da menopausa, muitas mulheres se sentem deslocadas; como se já não fossem quem eram, mas ainda não soubessem quem estão se tornando. É justamente esse território intermediário que o livro Nem Lá, Nem Cá, de Maila Couti, ilumina com delicadeza e lucidez.
A obra não promete fórmulas rápidas nem soluções milagrosas. Ela oferece algo mais raro: linguagem para o que está sendo vivido. Fala de corpo, de ritmo, de pausas necessárias e da coragem de não se violentar para caber em expectativas antigas.
Ler Nem Lá, Nem Cá durante a perimenopausa ou a menopausa é reconhecer que esse período não é um desvio; é uma travessia legítima. Um tempo em que o corpo pede escuta, o excesso perde sentido e o cuidado deixa de ser opcional.
Se você sente que está vivendo esse “entre”, este livro pode ser uma companhia importante. Não para acelerar respostas, mas para sustentar perguntas com mais gentileza.
Você pode acessar o livro aqui
Leitura que se torna processo
Para mulheres que desejam ir além da leitura solitária, o livro Nem Lá, Nem Cá integra o Leitura Compartilhada – Ciclo 2026, um percurso anual que une literatura, escrita expressiva e autoconhecimento.
Ao longo do ciclo, cada leitura é acompanhada de encontros reflexivos, práticas de escrita e instrumentos simbólicos; como as Cartas Flor&Ser — que ajudam a transformar leitura em elaboração concreta da vida.
O pilar de saúde e bem-estar, trabalhado a partir do livro da Maila Couti, abre o ano justamente porque o corpo é a base de toda travessia. Sem escuta corporal, não há mudança sustentável.
Se você sente que este é um tempo de cuidar com mais consciência; e em companhia, talvez esse caminho faça sentido para você.
Conheça o Leitura Compartilhada – Ciclo 2026
A perimenopausa e a menopausa não pedem que a mulher “aguente”. Pedem que ela reconheça, nomeie e peça apoio quando necessário; seja médico, terapêutico ou comunitário.
Livros ajudam. A escrita ajuda. A troca entre mulheres ajuda. E, muitas vezes, o primeiro gesto de cuidado é simplesmente não atravessar sozinha.
Lane Lucena é psicanalista, escritora e pesquisadora do campo da Gerontologia. Autora de “Fios da Vida: memórias alinhavadas com palavras”, dedica-se a investigar as tramas entre corpo, memória e escrita como caminhos de cuidado e reconstrução psíquica.
Referências Bibliográficas
COUTI, Maila. Nem lá, nem cá: o diário, os desafios e os aprendizados de uma mulher na perimenopausa., Editora Lluminar, 2024. ISBN 978-6581216504.
HAVER, Mary Claire. A nova menopausa: viva a fase da mudança hormonal com informação e autonomia. [S.l.]: Intrínseca, 2025. ISBN 978-8551013977.



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